PSICÓLOGO EXPLICA PORQUE MUITAS PESSOAS SE INTERESSAM E COMPARTILHAM IMAGENS DE ACIDENTES TRÁGICOS
PSICÓLOGO EXPLICA PORQUE MUITAS PESSOAS SE INTERESSAM E
COMPARTILHAM IMAGENS DE ACIDENTES TRÁGICOS
Ocorre um
acidente no centro da cidade e uma pessoa encontra-se gravemente ferida,
atropelada por um carro. Logo, curiosos se juntam em torno da vítima e a rua
fica tomada de pessoas tirando fotos, ligando para os amigos e outros querendo
saber o que aconteceu. Uma cena muito comum de acontecer nos dias de hoje Mas
por que as pessoas se interessam tanto em ver outras machucadas ou mortas? Por
que as notícias ruins de acidentes trágicos ou assassinatos chamam tanto a
atenção? Para responder a esses questionamentos, o psicólogo e teólogo,
Sérgio Oliveira, de Alegre, enumerou em sete tópicos o que pode levar o
ser humano a desenvolver esta curiosidade mórbida. “Para essa questão não
existe uma resposta única, existem diversas possibilidades que perpassam o
comportamento individual e coletivo que servem para responder por que as
pessoas se interessam por acidentes, assassinatos e de verem pessoas mortas”,
afirma.
O primeiro
motivo, na tentativa de explicar esse fenômeno, seria a curiosidade. “O ser
humano é curioso por natureza. Vemos uma multidão na rua e logo vem o desejo de
saber o que ocorreu. É uma função mental de querer saber o que aconteceu, como
aconteceu, quem foi o A proteção é outro fator apontado por Sérgio Oliveira.
Para ele, a divulgação de uma notícia, principalmente de perigo, tal como um
acidente ou assassinato, cumpre a função social de tentar evitar que aquilo
aconteça no futuro com outras pessoas. Como, por exemplo, “não atravesse em tal
lugar porque é perigoso” ou “não passe em tal rua à noite porque é perigoso”.
Contudo, muitas vezes não há limite na propagação de imagens das vítimas, o que
leva o psicólogo a abordar outro item, as redes sociais. “A facilidade com que
se divulga uma informação e o acesso rápido a equipamentos eletrônicos que
estão sempre à mão e sempre conectados impulsiona o comportamento de certos
divulgadores de notícias. Nesse caso, não só acidentes são alvos dos celulares
e das redes sociais, mas também obras de caridade, cultos religiosos, festas e
afins. Noticiar pode ser uma forma de empatia com o sofrimento ou alegria
alheia”, explica.Existe ainda, na visão de Sérgio Oliveira, o sentimento de
alívio. Ele conta que por mais estranho que pareça, o ser humano tende a achar
bom que a tragédia tenha acontecido com um desconhecido. “Saber que uma
tragédia aconteceu com outra pessoa e não comigo ou com uma pessoa próxima a
mim, traz a sensação de alívio e escape ou a sensação de que minha vida está
melhor do que a dos outros que sofreram”.
Um aspecto
mais negativo seria o fato de que o sucesso alheio não nos interessa, mas a
desgraça alheia sim. Este fator apontado pelo psicólogo como síndrome de urubu.
“Se uma pessoa me diz que alguém está bem não se prolonga o assunto, mas se
fico sabendo que alguém está com problemas logo aguça a curiosidade e passo a
querer saber todos os detalhes. Não é a toa que falar da vida alheia é um dos
nossos passatempos favoritos, seja no cafezinho, no BBB ou no noticiário da
TV”, enfatizou Sérgio Oliveira, que destaca esta síndrome como um dos
principais motivos para uma pessoa chegar a situações extremas, como deitar no meio
do asfalto só para conseguir aquela foto chocante de uma vítima de
atropelamento.
Existe ainda
a necessidade de atribuição de causa. De acordo com Sérgio Oliveira, o ser
humano possui a tendência de atribuir às desventuras humanas uma causa
transcendente. São questionamentos do tipo “porque coisas ruins acontecem a
pessoas boas?” ou “o que essa pessoa fez de errado para morrer dessa forma?”.
Uma espécie de teoria de punição e castigo da vida. O psicólogo destaca que é
comum o ser humano ignorar que certos acontecimentos são apenas obras do acaso,
que um acidente pode ser apenas a coincidência de certos eventos aleatórios e
nada tem a ver com merecimento, punição ou de uma pessoa ser boa ou ruim.
E por fim,
Sérgio Oliveira fala sobre o tabu da morte. “Temos o costume de tratar os
mortos com devido respeito. Só iremos ver um morto arrumado e enfeitado dentro
do caixão no velório. Por esse motivo, existe um desejo atraente de ver alguém
dilacerado após um acidente como forma de transgressão social. O proibido
desperta muito a nossa curiosidade”, disse.
O psicólogo
conclui dizendo que o interesse do ser humano por tragédias não é um assunto
fechado e que o comportamento social é muito complexo para ser tratado de
maneira simples ou unilateral. “Na oportunidade, gostaria de levar o leitor à
reflexão sobre o comportamento invasivo dos dias atuais. Tudo hoje é motivo
para fotos e vídeos nas redes sociais. Vemos que nem mesmo um velório ou um
culto religioso escapa das câmeras dos celulares. Ninguém pergunta se você quer
ser filmado, afinal de contas, já que a maioria das pessoas gosta de aparecer,
você também vai querer. Nada escapa do ímpeto exibicionista de certas pessoas
que tem a necessidade de gritar para o mundo ‘eu estava lá!’. Determinadas
situações sociais exigem discrição. Não podemos invadir a privacidade alheia de
certas ocasiões que devem sim, permanecer no anonimato”, declarou Sérgio
Oliveira.
Penalidades
Ao
compartilhar fotos de acidentes ou assassinatos muitos internautas não sabem
que podem estar cometendo um crime, dependendo da forma como as imagens são
publicadas.
Para o diretor
sul do Sindicato de Delegados do Espírito Santo, Dedier de Carvalho Alves, se
houver comentários ofensivos à honra das vítimas em alguma publicação de
imagens, pode se caracterizar crime de difamação. Mas é preciso que a família
das vítimas requeiram uma apuração. “Hoje com as redes sociais as publicações
só tipificaria crime se forem publicações com comentários contra a honra das
pessoas. Nesse caso, dependendo da situação, poderíamos ter os crimes contra a
honra de calúnia ou difamação com penas de até um ano de detenção, podendo
serem substituídas por penas alternativas, como prestação de serviços à
comunidade, doações de cestas básicas ou até pagamento de uma multa”, explica.
Dedier de
Carvalho esclarece que calunia é o ato de disseminar algum fato falso
criminoso. E difamação consiste na propagação de outro fato qualquer que não
seja crime, porém, todos ofensivos à honra.
Nos casos
onde as vítimas estiverem mortas a situação é ainda mais grave, segundo o delegado,
distinguindo como crime de vilipêndio. “Se houver intenção de menosprezar o
cadáver pode
ser caracterizado sim o crime de vilipêndio a cadáver, com pena de um a três
anos de detenção. É o que está previsto no artigo 212 do Código Penal
Brasileiro”, disse.
Então, todo o
cuidado é pouco na hora de compartilhar imagens nas redes sociais. É preciso
avaliar se o conteúdo pode gerar algum tipo de constrangimento a alguém.
extraído do portal aquinoticias.com

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